Com muitos jogos nas pernas, após imensos treinos e depois de milhares de minutos de futebol disputados, os jogadores chegam às férias. Descanso, diversão e relaxamento são ambições de qualquer trabalhador neste período, mas eventuais excessos reflectem-se de imediato no rendimento dos atletas. É caso para se dizer: diz-me as férias que fizeste, dir-te-ei que pré-época farás.O peso é a principal dor de cabeça dos responsáveis pelo acompanhamento clínico dos futebolistas quando estes regressam à actividade. Cada quilo a mais que um jogador apresente significará uma diminuição do desempenho físico em competição e um aumento dos riscos de lesão.
O limite? Dois quilos a mais. Tudo o que seja um desvio superior a dois quilos relativamente ao peso padrão de um futebolista deve fazer soar as sirenes de alarme. Experimenta pôr um saco com mais de dois quilos às costas e corre uns quilómetros. Rapidamente perceberás o que isso significa. As consequências são, de facto, imediatas. A primeira é ficar para trás em relação aos colegas, a não ser que esteja disposto a sofrer mais para tentar acompanhá-los. O problema é que a máscara de esforço que ficará no rosto do “infractor” não passará despercebida ao treinador, que, na altura de escolher quem começará a jogar no “onze”, pode decidir eleger alguém que dê garantias de maior frescura física. É assim que alguns habituais titulares podem perder esse estatuto no início de uma nova época e só tarde percebem que existe quase uma relação causa-efeito entre o comportamento nas férias e o rendimento na pré-época. Mais riscos na pré-época. O peso excessivo potencia igualmente o risco de contrair uma lesão por causa do aumento da massa gorda e da diminuição da massa muscular. As articulações dos joelhos e dos tendões, por exemplo, ficam sujeitas a uma pressão superior. Uma alimentação cuidada é, portanto, fundamental para controlar o peso, com os especialistas a aconselharem o consumo de peixes gordos, carnes magras, fruta e hidratos de carbono. Como a actividade física diminui, é necessário ter ainda mais atenção ao que se come e bebe e o álcool é uma das substâncias mais nocivas, pois é muito calórico. Um dos problemas de frequentes saídas nocturnas neste período é precisamente esse – a ingestão de álcool. Mas não o único. A redução do período de repouso é outra das contra-indicações praticadas por alguns atletas nas férias. O ideal é descansar entre oito a dez horas diárias. Menos do que isso poderá ter reflexos negativos no regresso ao trabalho. Mas nem tudo é perigoso nas férias. Do ponto de vista psicológico, é positivo os jogadores desligarem-se da actividade normal que realizam. Mas é imprescindível que façam aquilo que, na gíria médica, é apelidado de repouso activo. Quatro semanas de paragem completa equivalem a uma diminuição da resistência de 15 por cento.
Conselhos a seguir – alimentação, sono e actividade física O que fazer - Manter uma actividade física diária regular (cerca de uma hora e meia, realizando uma corrida ligeira e alguns exercícios) - Fazer uma alimentação com produtos pouco elaborados: consumo de peixes gordos, carnes magras, fruta e hidratos de carbono - Cumprir idealmente 8 a 10 horas de sono diárias (menos do que isso poderá ter reflexos negativos no regresso ao trabalho)
O que evitar - Total ausência de exercício físico - Alimentação desregulada ou em excesso (o aumento de peso provoca um acréscimo de massa gorda com reflexos nas articulações dos joelhos e nos tendões, que ficam sujeitos a uma pressão superior) - Consumo de tabaco ou de bebidas alcoólicas em excesso, já que são extremamente calóricas - Frequência prolongada de locais com muito fumo
Boas Férias !






